• Apresentação do curso

    Proposta do curso

    Este curso de formação continuada de professores busca apresentar uma visão contemporânea de questões sobre a natureza da ciência, problematizando a visão empírico-positivista que ainda é promovida por muitos meios de comunicação, incluindo livros didáticos. Neste curso, os professores terão contato com autores das áreas de história e filosofia da ciência e terão a oportunidade de discutir estratégias para levar uma abordagem histórica e epistemologicamente crítica da Ciência para a sala de aula onde atuam.

    Justificativa da oferta

    Há muitas concepções consideradas falaciosas ou ingênuas acerca da natureza do conhecimento científico (CHALMERS, 1993, p. 12; MARTINS, 2001). Não obstante os avanços que a Historiografia da Ciência e a Epistemologia tenham alcançado no século XX, essas concepções, ligadas àquilo que ficou conhecido como 'visão recebida' ou a uma filosofia empírico-positivista, continuam sendo as predominantes entre cientistas e professores (OLIVEIRA, 2002).

    Se entendemos que uma das principais funções da educação científica é promover o senso crítico entre os estudantes, é fácil defender que as discussões sobre a natureza da ciência deve estar presente nas aulas. Contudo, como fazer isso se a formação da maioria dos professores teve pouco ou nenhum contato com História e Filosofia da Ciência (HFC)? Cursos de formação continuada, voltados a essa temática e permeados por discussões educacionais, podem oferecer alguma contribuição nesse sentido. E é assim, resumidamente, que justificamos e fundamentamos teoricamente esse curso.

    Quanto à importância do curso para as comunidades interna e externa ao câmpus, esta reside principalmente no diálogo que permitirá:

    a) Levar o conhecimento acadêmico mais atual sobre HFC e Ensino de Ciências para a comunidade externa (nomeadamente, educadores em atividade), na forma de um curso de formação continuada de professores;

    b) Trazer a experiência desses professores (público externo) para dentro do Câmpus, uma vez que não se pode subestimar o papel de educador-educando que o(a/s) ministrante(s) do curso tem; isto é, sabemos que quem ensina de maneira dialógica está aprendendo com seus(suas) estudantes, de maneira que o(a/s) ministrante(s) do curso terão rica oportunidade de, nos diálogos com o(a)s cursistas, discutir a realidade atual da sala de aula e, com isso, aprimorar seus conhecimentos teóricos sobre o ensino de Ciências. Tal experiência enriquecerá, certamente, as aulas desse(a/s) professor(a/s) no câmpus, especialmente suas aulas de práticas de ensino e afins.

    Fundamentação Teórica

    Há grande variedade de questões em aberto na Filosofia das Ciências (DUTRA, 2009, pp. 13-32). Contudo, a visão de Ciência que comumente é anunciada nos livros didáticos e nas salas de aula pouco ou nada trazem dessas questões; pelo contrário, tipicamente esses discursos tratam de veicular a Ciência como detentora de uma metodologia capaz de obter provas definitivas e inquestionáveis (cf. GAMA, 2011, passim). Não apenas em questões epistemológicas ou filosóficas encontramos tais problemas, mas também na dimensão histórica da Ciência. A presença de mitos históricos nos livros didáticos, nas mídias, em textos de divulgação científica e em aulas é tão alarmante que o historiador da Física Roberto de Andrade Martins, da Unicamp, publicou um manifesto historiográfico (Op. cit.) intitulado 'Como não escrever sobre história da Física'. Tendo por hipótese que o objetivo da educação é formar cidadão capazes mais de questionar informações que de memorizá-las, justificamos assim nossa proposta de curso.

    Referências Bibliográficas

    CHALMERS, Alan F. O que é Ciência afinal? São Paulo: Editora Brasiliense, 1993.

    DUTRA, L . H. de A. Introdução à teoria da ciência. Florianópolis: Editora da UFSC, 2009.

    FEYERABEND, Paul. Contra o Método. Lisboa: Edições 70, 1991.

    GAMA, L. D. Autoridade da Ciência e Educação. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2011 (Dissertação de Mestrado).

    KUHN, Thomas. A estrutura das revoluções científicas. São Paulo: Perspectiva, 1975. LATOUR, Bruno. Ciência em ação: como seguir cientistas e engenheiros sociedade afora. Unesp, 2000.

    MARTINS, Roberto de A. Como não escrever sobre história da Física - um manifesto historiográfico. Revista Brasileira de Ensino de Física. v. 23, n. 1, março de 2001.

    OLIVEIRA, Maurício Pietrocola de. A história e a epistemologia no ensino de Ciências: dos processos aos modelos de realidade na educação científica. In: A ciência em perspectiva – estudos, ensaios e debates. Ana Maria Ribeiro de Andrade (org.); Rio de Janeiro: SBHC, 2002.

    SILVEIRA, Fernando Lang da. A metodologia dos programas de pesquisa: a epistemologia de Imre Lakatos. Caderno Brasileiro de Ensino de Física, v. 13, n. 3, p. 219-230, 1996